Fátima – Cidade da Paz

Viaja comigo até à cidade da Paz! 🙂

 

 

Aquilo que eu vi e vivenciei,

É fácil imaginar o que se vive em Fátima não!?

Um misto de emoções, energias, dúvidas, certezas, reflexões, pedidos, promessas, …

A cada canto ou esquina, vemos religiosos  ajoelhados, senhores e senhoras de terço na mão que agarram com tanta força que quase lhes deixa marcas, conjuntos de pessoas que andam enquanto cantam, pessoas que passeiam de vela acesa pelo recinto,  são algumas das tradições que se fazem notar mais aqui!

A beleza incalculável do Santuário e daquilo que ele representa. Não importa se és religioso ou não, se acreditas no milagre ou não, aquilo que ali se cultiva já é muito mais do que o que se possa ter passado ou não à 100 ou à 2000 anos. Importa sim, o espírito que lá se vive, pessoas que fazem viagens para admirar aquilo que lhes correu bem e para se sentirem agradecidos. Eu vi pessoas idosas a ajudar pessoas ainda mais idosas!!! Vi locais que passeavam pelas ruas só para oferecer comida, água e medicamentos. Cultiva-se um acreditar que tudo é possível, cultiva-se que a esperança é a última a morrer.

O mais importante a levar destes caminhos por Fátima, é mesmo a vivência simples e livre com que se faz esta caminhada, é entender que aquilo que podemos ser ou ter é muito mais do que bens materiais ou a nossa conta bancária!

 

 

  Descendendo Eu de famílias religiosas, claro que já tinha visitado Fátima diversas vezes. Umas vezes com os avós, outras tantas com os pais. Mas esta viagem foi diferente. Foi minha! Eu decidi que queria visitar esta pequena freguesia, não porque era dia 13 de Maio ou Outubro, não porque se celebrava 100 anos das aparições, mas sim porque eu senti que queria ir.

  Curiosamente o meu Fábio tinha a mesma vontade que eu, por isso preparei a máquina fotográfica e um estojo de higiene e partimos. Pesquisei um ou outro hotel, e rapidamente me decidi pelo mais barato (sempre muito poupadinhos).

  Ficamos alojados no Hotel Recinto, podes consultar a página deles clicando aqui. Uma qualidade-preço super interessante, pagamos 30€ pela noite (época baixa, 15€ cada um, até num hostel é difícil encontrar este preço) já com pequeno-almoço incluído!

  Fiz a reserva através de telefone, não me foi pedido nenhum adiantamento, e ainda me enviaram um e-mail a confirmar a reserva. Correu tudo conforme previsto (contacto telefónico 249 530 610).

  A localização do Hotel era de facto a melhor. contornava-mos uma rua (nem 50 metros) e estávamos dentro do recinto do Santuário. Da varanda do meu quarto eu via a Torre do Santuário, a coroa, a cruz iluminada e uma paisagem natural até lá. Tinha lugares de estacionamento mesmo à porta do Hotel. Gostei muito da escolha e fiquei muito satisfeita com o Hotel, os funcionários e como nos receberam. O quarto era satisfatório, o colchão era bom e tínhamos uma vista maravilhosa. O wc, era um pouco mais antigo mas estava limpo.

 

SUPER DICA D’ANA: Na semana anterior escrivi o artigo “Pelos caminhos de Fátima”, onde vos conto o Milagre do Sol, dou-vos conselhos sobre peregrinação, escrevo sobre o Património de Fátima, os lugares de culto, as tradições, os museus e o que há pelos arredores. Se quiseres ler, clica aqui.

 

  O roteiro foi bastante fácil de preparar, baseei-me no património de Fátima. Fica tudo muito próximo, nós nunca usamos o carro, nem mesmo para ir até à aldeia dos pastorinhos, Aljustrel, que fica a cerca de 15/20 minutos a pé do Santuário.

  O primeiro lugar que visitamos foi o recinto do Santuário de Nossa Senhora do Rosário, é impossível não contemplar de imediato o monumento que se vê de todos os cantos de Fátima independentemente da distância, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário. Construído por cima de um muro de sobreposição de pedras, feito pelas próprias mãos dos pastorinhos. A sua Torre é maravilhosa e a sua coroa de bronze é para mim a mais bonita que visitei. A basílica está excelentemente bem preservada.

 

 

 

  À esquerda da Basílica está a capelinha das aparições! Esta capela marca o local da azinheira sobre a qual apareceu a senhora mais brilhante que o sol. No dia em que a visitei a missa estava a ser celebrada numa língua asiática para um grupo que visitava Fátima.

 

 

  Ao lado da capela das Aparições encontra-se a Pira do Santuário ou Forno das Velas, onde também quis deixar as minhas velas junto com os meus pedidos. Eu aplico significados para tudo que faço, e este movia mais um centena de pessoas como eu, o que ajudou a engrandecer o significado.

 

 

  Agora sim, podemos visitar a Azinheira grande, que é de facto um monumento natural simbólico da época, mas que trás consigo a grandeza da natureza, vive muito mais anos do que alguma vez possamos imaginar. Essa sim é a sobrevivente que poderá contar aquilo que vivenciou no dia 13 de Maio de 1917.

  A Basílica da Santíssima Trindade é muito mais moderna. A sua entrada é majestosa com umas enormes portas de bronze, LINDAS, criam a expectativa de uma passagem para o desconhecido. No seu interior acolhe mais de 8000 peregrinos. No exterior vi e fotografei todos os papas e bispos que contribuíram para o reconhecimento do milagre de Fátima. Admirei a cruz alta de Fátima a gémea da cruz do Santuário do Cristo Rei.

 

Entrada da Basílica da trindade
Cruz Alta de Fátima

  Descemos a escadaria e visitamos as capelas subterrâneas. Neste mês estava a decorrer uma exposição gratuita numa das salas com o nome “As cores do Sol”. Esta exposição continha as mãos dos alunos da Universidade de Coimbra. Uma explicação super moderna daquilo que se julga ter acontecido em 1917 sem nunca desrespeitar a religião ou as memórias dos três pastorinhos. À entrada da exposição continha vários folhetos com vários idiomas. Ao longo da exposição vai sendo contada a história das aparições de uma forma muito artística.

 

 

  De manhã tivemos tempo para visitar todo o recinto calmamente e ainda nos sobrou tempo para visitarmos um dos museus que também são bem pertinho do Santuário. Nós optamos por passear pelas lojinhas e fazer compras. Eu queria acrescentar postais à minha coleção e tinha prometido a algumas pessoas uma Lembrança de Fátima, e promessa é promessa.

  De todos os museus, aquele que me gerou mais interesse, embora não tenha visitado nenhum, foi o museu interativo. Parece-me uma forma muito mais apelativa de ver o milagre de Fátima, pois consegue recriar as aparições de uma forma moderna e muito mais criativa para as crianças. É capaz de conseguir passar um pouco melhor as emoções vividas naqueles dias.

  Depois do passeio pelas lojas, está na hora de comer alguma coisa. Já tínhamos passado por algumas ruas, e um dos restaurantes ficou-nos no olho, “Cozinha de Fátima”. À entrada falamos com um dos funcionários que nos apresentou as refeições num grande cartaz e nos recomendou a especialidade da casa, “Bife à Portugália”. Bem dito funcionário, bem dito restaurante. Já com água na boca vos confesso que este Bife foi o melhor Portugália que comi. O bife em si estava maravilhosamente temperado para o meu paladar e no “ponto” nem mal passado nem passado de mais, mas o que me deixa água na boca é mesmo o molho, que delicia! Claro perguntei ao funcionário como era confeccionado o molho, que me disse alguns dos condimentos que levava este molho, mas não todos! Um pouco de natas, sal e pimenta, cerveja, margarina, mostarda e condimentos mágicos. Claro que o queijo derretido e o ovo para além de embelezarem o prato traziam muito sabor. Amei!

 

 

  No final do almoço a nossa visita continua. Ao pé da rotunda dedicada aos três pastorinhos inicia-se os caminhos da via sacra dos valinhos. Um caminho que atravessa o campo dos valinhos desde Fátima até a aldeia de Aljustrel.

  Também é possível fazer o caminho pela nacional mas não é tão bonito, emocionante e calmo. Passeando por entre os corredores envoltos de natureza, vai-nos sendo contado através de monumentos os relatos das aparições de Nossa Senhora e memórias dos pastorinhos.

 

 

  Aqui começa uma jornada que a cada paço marca uma conquista. Ao longo deste percurso encontramos a Loca do Cabeço, local de duas aparições do Anjo da Paz, Anjo de Portugal, o local da quarta aparição de Nossa Senhora a 19 de Agosto e o Cálvario Húngaro, onde no topo temos a melhor paisagem sobre os valinhos.

 

Loca do Cabeço – Local de Aparição do Anjo de Portugal
Memória à aparição de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
Calvário Húngaro

 

  No final do percurso estaremos no caminho dos pastorinhos. Seguindo caminho sempre em frente, vamos encontrar um cruzamento com várias indicações. Decidimos visitar a Casa-museu de Aljustrel. Um museu representativo das casas típicas da época e dos instrumentos de trabalho de campo, de cultivo, de cozinha, instrumentos dos sapateiros da época e outros. O custo de entrada por pessoa é de apenas 1€.

  Mais à frente um pouco, está a casa de Lúcia Santos, onde podemos caminhar até ao poço do arneiro local de aparição do Anjo de Portugal. Hoje em dia, já está representado através de estátuas a aparição, junto com uma gravação do acontecimento.

 

Poço do Arneiro
Quintal da Casa de Lúcia Santos

  Voltando ao cruzamento, seguimos indicação para a rua de Aljustrel, onde fica a casa dos irmãos Marto. Uma casa simples e modesta que mesmo assim era boa para a época. Nesta casa vais encontrar o Sr. Artur, acolhedor de peregrinos, conhecedor de mil e uma histórias sobre o lugar, as aparições e a árvore genealógica dos videntes. Para além de ser o trabalho dele, ele adora o que faz. Gostei bastante dos bons minutos à conversa com este senhor.

 

Casa dos pais de Jacinta e Francisco Marto
Capela nos quintal dos irmãos Marto

  Em frente temos a casa de João Marto, irmão de Jacinta e Francisco. A sua casa esta aberta para visitas gratuitas. Lá dentro podemos ver bens da família, como cartas, roupas, a cama onde morreu Francisco, a cozinha original e muitas outras coisas. Também está sempre alguém presente para acrescentar um ponto ao conto. Quem por lá andou muitos anos foi o próprio Sr. João Marto que tive o gosto de ver quando era ainda muito pequena numa outra viagem.

  João esteve presente durante a aparição de 19 de Agosto em 1917. Relata que nada notou de anormal, apenas um zumbido enquanto ouvia Lúcia a falar “sozinha”, nunca viu a senhora brilhante que dizia vir do céu. Dedicou a sua vida ao apoio de peregrinos e à construção da Basílica do Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

 

 

  Outra forma de chegar a Aljustrel é pela nacional 360, também conhecida como Avenida dos três pastorinhos, é só caminhar uns 12 minutos desce a rotunda dos pastorinhos até encontrar umas placas de indicação à direita dizendo “Aljustrel”, “Valinhos” e “Museu”. Seguimos a indicação virando à direita e é só seguir em frente mais uns 5 minutos. Do lado direito encontraremos a casa de Jacinta e Francisco Marto e do lado esquerdo a casa de João Marto.

  Depois de visitados todos os lugares de culto, decidimos passear a pé por entre as ruas de Aljustrel, entrar na lojas, conversar com pessoas da terra e com outros peregrinos, e acabar o dia em beleza jantando na cozinha de Fátima.

  Já de noite, voltamos ao recinto para admirar as suas luzes no meio da escuridão do céu e ouvir uma missa.

 

 

O QUE MAIS GOSTEI

  Para além da beleza incalculável do Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, gostei muito de ver a queima das velas, um ato tão simples que move multidões.

  Gostei especialmente de visitar Fátima em época baixa, altura em que é tão mais fácil visitar e conhecer Fátima em apenas um dia!

  Adorei os campos de Aljustrel, árvores com todas as curvas, todo o lado enfeitado de musgo e nevoeiro, parecia saído de um filme.

 

 

Até Sexta!

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