Costa Vicentina

A minha experiência na Rota Vicentina. Que trilho escolhi, o que visitei, agrupamento de artigos, como planeei, onde dormi e o que mais gostei.

 

O que vi e vivenciei,

A viagem pela rota vicentina é um conjunto de experiências fantásticas, algumas delas inexplicáveis e com certeza inesquecíveis!
É fazer os trilhos por um litoral português, não explorado, precisamente por ser parque natural.

Vivi um pouco de tudo. Descobri mitos, tradições e histórias das vilas. Explorei falésias, trilhos e praias. Visitei o barco fantasma, arte zen e todas as Fortalezas. Nadei no mar, no rio, em riachos e cascatas. Naveguei até ilhas e grutas. Observei os seres vivos do parque natural. Falei com o mar. Muito pouco dormi.

Numa viagem tão curta, muito é possível viver!

 

  Como o nome indica, a Rota Vicentina é um percurso tradicionalmente pedestre pela Costa Vicentina, sudoeste português. Hoje em dia já se vê muitos ciclistas a pedalar sobre esta rede de percursos que totaliza mais de 400 km. Grande parte destes trilhos estão localizados no parque natural do sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, tornando impossível a tarefa de tentar fazer este passeio de carro. Correndo até o risco de não aproveitar tudo que esta viagem tem para oferecer. Uma Rota que começa no Alentejo e termina no Algarve.

  Existem algumas rotas traçadas e preparadas com bastante informação biológica, biográfica e histórica, bem como mapas e indicações no caminho. O trilho dos pescadores, o caminho histórico e os percursos circulares. Claro que em alguns momentos estas rotas se cruzam. Estes trajectos são destinados a percursos pedestres ou de bicicleta, muitas zonas em estradas de terra batida, estreitas e sem condições para andar em veículos motorizados.

  Eu optei por fazer  o percurso do trilho dos pescadores, pois tinha muito interesse em conhecer as zonas do litoral, as falésias da costa, conhecer praias inseridas num meio natural não alterado. Fiz o percurso em 3 dias, metade do tempo a conduzir e outra metade a caminhar. A essência do percurso é fazê-lo a pé, mas como eu e a maioria dos leitores trabalhamos, eu tinha apenas 4 dias para fazer esta viagem (um desses dias iria ficar automaticamente perdido, com a viagem até ao sul e com a volta para o norte).

  Como o meu tempo era limitado, decidi programar o percurso com alguns dias de antecedência, fazer escolhas em que localidades parar, onde dormir, onde comer, entre outras coisas. Acreditem que li muitos artigos, visitei muitas galerias de fotografia, pesquisei bastante na rede e cheguei ás minhas conclusões. Admito que não conheci alguns lugares, mas acredito que programei visitar os que mais iam de encontro aquilo que eu queria fazer.

 

 

  Seguindo este mapa dos percursos, era só analisar que zonas passaria de carro, e que zonas faria a caminhar! Comecei em Sines tal como a rota ordena, e nesta cidade visitei o lado histórico (Castelo de Sines e homenagem ao Vasco da Gama) e a praia mais conhecida, a praia Vasco da Gama. De seguida fomos até à freguesia de Porto Covo, e aqui sim, decidi caminhar de praia a praia, parar de falésia em falésia e apreciar algumas das mais bonitas e melhores praias paisagísticas portuguesas, visitar a ilha do pessegueiro e claro comprar postais para a minha colecção no centro da vila. (1º artigo – De Sines a Porto Covo – Paraíso Português)

 

 

  Ao final do dia estaríamos a chegar a Vila Nova de Milfontes, onde passamos a primeira noite. Esta maravilhosa Vila super acolhedora, encantou-nos, acabamos por ficar um pouco mais do que o previsto. Embora as praias não fossem tão vistosas tinham mais história. Na praia do Farol existe a tradição de deixar a nossa própria marca empilhando pedras e equilibrando-as em diferentes formas, na praia do Patacho temos o barco fantasma em pleno areal, as águas calmas da praia da Franquia convidam-nos a banhos ou a um passeio rio acima. (2º artigo – Vila Nova de Milfontes – A princesa do Alentejo)

 

 

  Despedimos-nos desta Vila já com saudade e seguimos para Zambujeira do Mar, fazendo uma breve paragem no caminho para contemplar o Cabo Sardão. Chegando á Zambujeira, vibrei com as suas quedas de água em pleno areal salgado. Mais uma freguesia encantadora onde fomos muito bem recebidos pelos locais. As paisagens mais bonitas, formações rochosas estranhas e únicas, as falésias montanha russa. (3º artigo – Zambujeira do Mar – Vibrantes quedas de água)

  A meio da tarde partimos até Odeceixe para pernoitarmos em Aljezur. Aproveitamos a luz do dia para visitar o riacho, as praias fluviais e as praias da costa. Chegamos a Aljezur já de noite, mesmo na hora de jantar. (4º artigo – Aljezur – ZigZag dos riachos)

 

 

  Depois de viver mais um pouco de Aljezur, partimos para Vila do Bispo, saltando alguns quilómetros de carro para ver praias douradas, o cabo histórico de Sagres e o cabo mais a sudoeste de Portugal – Cabo de São Vicente, onde eu já sabia que queria despender um pouco mais de tempo. Como era o último dia, e tínhamos comprido as datas e horas como planeado, sobrou-nos algum tempo para uns mergulhos mais demorados. (5º artigo – Vila do Bispo – Colecção de Fortalezas)

 

 

  Tenho de pedir uma especial atenção para o artigo Fortaleza de Sagres – A Voz do Mar, Sagres pertence ao concelho de Vila do Bispo, onde eu já tinha planeado perder um pouco mais de tempo para ouvir a voz do mar. Vale muito o tempo e a viagem. (Fortaleza de Sagres – A Voz do Mar)

 

 

  Acredito que fizemos as melhores escolhas, e respeitamos dentro do tempo que tínhamos o trilho dos pescadores. Ficaram por conhecer algumas zonas históricas que iríamos visitar se tivéssemos optado pelo caminho histórico, ficam para a próxima visita ao Alentejo.
É importante dizer que, para conseguirmos ver estes destinos todos, nós deitávamos-nos tarde e acordávamos muito cedo. Os almoços eram farnel que preparávamos no carro,  enlatados, sandes ou pré-cozidos. Ao jantar, aí sim visitava-mos restaurantes nas localidades onde pernoitávamos.

  Garanto que este é um percurso que deves ponderar fazer. Se gostas de caminhadas, se gostas de polar de sitio em sitio, absorver a natureza de forma diferente, contemplar paisagens, visitar e comparar diferentes zonas, diferentes praias, viver um dia de cada vez, admirar o melhor de cada vila, esta é a viagem certa! É um percurso que não podes perder, porque ele vai enriquecer a tua alma, não duvides.

  Se és uma pessoa, que nem gosta muito de passear, que apenas quer estender a toalha e apanhar sol, então para ti tenho uma sugestão, passa na minha galeria do instagram, vê as enumeras fotografias das praias e das paisagem da zona e escolhe o lugar que mais te agradou, mas não deixes de visitar esta costa portuguesa, o maior parque natural no litoral do país.

 

COMO PLANEEI A VIAGEM

 

  Ao longo de tantas localidades no percorrer da costa vicentina, eu senti a necessidade de fazer muitas opções. Não é nada fácil completar esta rota em 3 dias e qualquer coisa. Senti-me obrigada para comigo mesma, a fazer uma pesquisa muito grande. Visitei amigos meus que já tinham feito esta viagem e partilhamos informações, li imensos artigos sobretudo em revistas, dia e noite admirava as galerias de imagens do instagram, recolhi o máximo de informação possível!

  À medida que os dias iam passando, mais decidida ficava. Algumas vilas já sabia desde o primeiro momento que queria visitá-las, outras fui descobrindo na pesquisa. Infelizmente eu queria visitar todas as vilas, e por isso não estava a conseguir conciliar o tempo que tinha com os quilómetros a fazer. E esta é sempre a parte difícil… fazer opções!

  Não é que não quisesse visitar os outros lugares, simplesmente queria ainda mais visitar os que escolhi. E aí não havia dúvidas. Queria mesmo muito visitar Porto Covo, Vila Nova de Mil Fontes, Zambujeira do Mar, Odeceixe e Sagres. Tudo aquilo que eu conseguisse acrescer durante o percurso era muito bem vindo!

  A partir daí era só preparar a mochila. O que para mim foi mesmo muito fácil. Eu apenas levei dois bikinis, dois calções, três t’shirts, as sapatilhas mais confortáveis que tinha, o protector solar (o sol do Alentejo é muito intenso), um chapéu, os óculos de sol, e a câmera fotográfica. Na mala do carro acrescentei uma térmica, água, enlatados, kit de higiene, um casaco e AVENTURAMO-NOS!

  A escolha dos alojamentos foi fácil. Peguei no mapa e desenhei o trajecto que queria fazer, dividi por cores o trajeto a pé e o trajeto de carro. Calculei o tempo dos trajetos e acrescentei o tempo que queria despender nas visitas. Depois deste raciocínio, cheguei à conclusão que teria de pernoitar em  Vila Nova de Mil Fontes e Aljezur. A poucos dias da viagem, e no mês de Julho apenas sobraram alguns alojamentos disponíveis. Eliminamos de imediato os valores a cima dos 60€ por quarto, e abaixo desse valor a escolha era muito escassa. Optamos pelo “Sol da Vila” e “Guesthouse a Lareira”. Ambos ficaram pelo valor de 55€ duas pessoas, a grande diferença foi tudo o resto.

  O “Sol da Vila” tinha uma boa casa de banho, um quarto satisfatório, a localização é perfeita no centro da Vila e perto das praias, a reserva foi feita por telefone e sem adiantamento. Por outro lado, não tinha pequeno almoço incluído, durante o alojamento nunca encontrava o funcionário da recepção e o check-out era até às 10H (embora eu fosse sair às 7H, e a hora de check-out não me incomodasse, se fosse uma viagem diferente iria incomodar).

  A “Guesthouse a Lareira” não tinha uma excelente casa de banho nem quarto, mas era satisfatório para passar uma noite, a localização era um pouco mais afastada do centro do que eu desejava e bastante longe das praias (20 min a pé), a reserva foi feita por telefone e sem adiantamento. Por outro lado, os funcionários eram nota máxima sempre preocupados e com bastantes sugestões do que visitar, tinha pequeno almoço incluído e check-out prolongado, mas o melhor era mesmo a comida servida no restaurante A Lareira.

 

O QUE MAIS GOSTEI

  Aqui não seria o que mais gostei, porque de uma zona tão extensa claro que gostei de muita coisa. Mas aquilo que eu posso referir é o que mais me marcou. As paisagens de cortar a respiração, os estonteantes pôr-do-sol no final do dia, o barco fantasma, o poder da praia do Farol que atraí todo o viajante a fazer a sua própria sobreposição de pedras, as vibrantes quedas de água que descem a falésia até à praia e percorrem a areia até ao mar, os riachos que desaguam na praia e nos deixam a hipótese de escolher nadar em água doce ou salgada, as ruínas ao pé dos cabos, e não posso deixar de me repetir – A VOZ DO MAR.

 

 

  “O PNSA e Costa Vicentina abrange uma extensa área costeira com praias, falésias, ilhotas e rochedos isolados; destaque para a ilha do pessegueiro que é uma duna consolidada; matos, charneca, culturas de regadio/sequeiro e matos de produção do longo da zona terrestre; numerosos endemismos botânicos; zona de passagem para a avifauna; cegonhas a nidificar em rochedos marinhos; interessante população de lontra com hábitos marinhos; grande riqueza ictiologica; a magestade do cabo de São Vicente e todas as lendas associadas a Sagres; inumeras atalaias a recordarem piratas mouros; pequenos portos de pesca e saborosos pratos do mar; o trecho menos povoado da costa Portuguesa.”

 

BONS PERCURSOS!

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